E-Learning
Artigo escrito por Tarcísio Nunes Filgueiras Júnior para conclusão da disciplina Fundamentos de Sistemas de Informação, pós-graduação Lato Sensu em Engenharia de Sistemas – ESAB.
O e-learning elitilizou o que era popular, o ensino à distância, e não excluiu ninguém, massificando o ensino à todas classes. O artigo a seguir mostra como a tecnologia tem aumentado o nível de qualidade e de confiança no antigo método de estudos à distância.
Há quem se lembre do Instituto Universal Brasileiro, com suas lições entregues periodicamente via correios, um dos ícones do ensino à distância, visava capacitação em profissões manuais básicas. Eu mesmo quando cursava escola técnica de eletrônica, tive a oportunidade de fazer dois cursos à distância, um de eletrônica e outro de eletrônica digital, e recentemente de caligrafia, que acabei abandonando sem conclusão.
Também cursos como Telecurso 2° grau, que ensina através da televisão, curtas lições para quem quer concluir o 2° grau.
Porém com o avanço tecnológico e principalmente o avanço dos computadores e da internet, o acesso a informação ficou ainda mais fácil. Porém o ensino tradicional não acompanhou tal velocidade, outros setores se aproveitaram da tecnologia e se modernizaram, bancos, companhias aéreas e outros, mas o ensino caminha lento.
Por isso, movimentos paralelos não oficiais são cada vez mais crescentes na internet, o de compartilhamento sistematizado de informações, em forma de tutoriais e até mesmo cursos, e com o youtube, a popularização de videos mais instrutivos também se tornou comum, tornando-se possível o estudo de praticamente qualquer assunto.
Abaixo vemos a capa da revista VEJA edição 2254, de 01 de fevereiro de 2012, onde fala sobre o fenômeno Salman Khan que criou a Khan Academy.
Um sistema de compartilhamento de video aulas de curta duração que se tornou tão popular que atraiu até a atenção do fundador da Microsoft, Bill Gates, que além de acompanhar aulas on-line com suas filhas, doou uma boa quantia para financiar as aulas do super-professor, que já entregou em sua academia mais de 121.183.168 lições para seus 4.000.000 de alunos.
Assim quero espantar as dúvida que talvez tenha deixado no início desse artigo com relação a elitilização mas também massificação, ou seja, não só pessoas que buscam uma primeira capacitação mas também pessoas que buscam especialização e até mesmo pós-graduação podem se beneficiar do ensino à distância, podem se beneficiar do e-learning.
Universidade Aberta do Brasil
O governo brasileiro lançou uma série de cursos de graduação à distância utilizando o método e-learning, o programa federal visa a capacitação de professores para lidar com essa nova realidade, bem como a formação de alunos que por diversos motivos não podem estar presentes em cursos tradicionais.
Verônica Rodrigues fez empréstimo para comprar computador e acompanhar todo o curso (Foto: Luiz Filipe/UnB Agência) [UAB2012]
A UAB na verdade é uma parceria com diversas Universidades brasileiras que oferecem cursos seguindo as regras do programa federal.
Muitas Universidades e faculdades também oferecem alguns de seus próprios cursos utilizando o e-learning, se destacando nacionalmente o SENAC, SENAI, Federais, tradicional como a FGV e outras que buscam maior visibilidade como a própria ESAB, que está me proporcinando essa oportunidade de fazer uma pós à distância.
Mas nem tudo são flores, há que ficar de olho aberto e atento às autorizações do MEC, órgão do governo que autoriza ou desautoriza cursos superiores no Brasil. Há muitas faculdades de fachada que oferecem cursos dos mais diversos temas porém sem validade alguma em âmbito nacional. Há também faculdades estrangeiras chegando com cursos de mestrado e doutorado à distância a preços ridiculamente baixos que só por isso já se levanta suspeitas e com uma pesquisa mais aprofundada logo se vê que não possuem autorização do MEC.
Universidade Corporativa
Muitas empresas perceberam que não podem contar apenas com o ensino tradicional para capacitarem sua mão de obra, com a concorrência cada vez mais globalizada as empresas passaram a se preocupar com a gestão do conhecimento bem como a retenção de seus talentos.
Assim criaram uma diversidade de cursos para seus profissionais e acabaram cunhando o nome “Universidade Corporativa”, que porém não fornece, na maioria dos casos, título algum válido pelo MEC, sendo apenas uma maneira charmosa de agrupar seus diversos cursos e sistematizá-los em diferentes níveis.
A maioria das grandes empresas oferecem uma maneira de gestão do conhecimento, destaco aqui casos como o do Senai, Banco Bradesco, Azul linhas aéreas com a UniAzul que fornecem cursos com simuladores de vôo homologado pela ANAC [UNIAZUL2012] e a Bematech premiada por algumas de suas iniciativas de treinamento de toda sua cadeia de valor.
Esse método de gestão do conhecimento é uma grande oportunidade de alinhar a estratégia da empresa à fidelização de colaboradores e clientes. Muitos métodos de cálculo para retorno do investimento têm sido tentado [K Tarapanoff] mas empiricamente falando as empresas percebem que vale a pena o treinamento interno devido a uma série de valores intangíveis e difíceis de serem mesurados.
Avanço tecnológico
Com o crescente avanço tecnológico já ditado pela lei de Moore que o poder de processamento das máquinas dobrariam em menos de 2 anos [MOORE] e tendo o coro sido reforçado pelo “profeta da tecnologia” Raymond Kurzweil dizendo que a singularidade está próxima [kurzweil] .
De acordo com Kurzeil em seu documentário “O homem transcendental”, por volta do ano de 2040, todo o conhecimento de um ser humano poderá ser transferido para uma máquina através de um upload, e que a inteligência artificial evoluirá tanto que teremos nano robôs em nossa corrente sanguinea.
Discursos filosóficos à parte, hoje temos tecnologia como educação na nuvens e ferramentas como o Tablet, cujo potencial ainda foi pouco explorado para fins acadêmicos, como sempre a educação ficando um pouco para trás.
Porém há quem defenda, eu eu sou um deles, que tecnologia não é tudo e desde as escolas de Pitágoras o ensino é algo que deve ser aprendido e apreendido, é como se preparar um pão, não basta ter todos os ingredientes, é necessário misturá-los da maneira correta e principalmente deixar um tempo em descanso para que a massa possa crescer, devido a fatores biológicos, só então deverá ser levado ao forno para assar e assim ficar pronto. Não dá para comer massa de pão crua, assim como o ensino precisa ser sedimentado através de diversas experiências.
Mas a tecnologia tem auxiliado e muito, em todos os setores do conhecimento.
Referências
VEJA , revista Edição 2254 de 01 de fevereiro de 2012
Khan Academy http://www.khanacademy.org/ (Acesso em 15/02/2012)
Universidade Aberta do Brasil http://uab.capes.gov.br (Acesso em 15/02/2012)
[UAB2012] http://uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=193:formatura-de-alunos-da-uabunb-quebra-a-logica-de-que-o-conhecimento-so-esta-ao-alcance-dos-grandes-centros-urbanos&catid=1:noticia&Itemid=7 (Acesso em 15/02/2012)
[UNIAZUL2012] http://aviacaonobrasilenomundo.blogspot.com/2012/01/universidade-azul-linhas-aereas.html (Acesso em 15/02/2012)
Universidade Bematech http://www.bematech.com.br/universidade.html (Acesso em 15/02/2012)
[K Tarapanoff] Avaliação em Educação Corporativa (http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/producao/arquivo/id/arq1229429401.pdf) (Acesso em 15/02/2012)
[Moore] http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Moore (Acesso em 15/02/2012)
[kurzweil] http://pt.wikipedia.org/wiki/Raymond_Kurzweil (Acesso em 15/02/2012)
Documentário de Ray Kurzweil “O homem Transcedental”
Artigo no Google Docs
https://docs.google.com/document/d/1TtMLs1UnWVSBiU8maIcQZZeyoEWe2ITSoHbfJR10pkw/edit