Céu pipocado de estrelas

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Brincando com metáforas e neologismos.

      
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P                o         a

          p            c

A noite bem anoitinha sente ciúmes das luzes da cidade.

Apague as luzes que as estrelas começarão a pipocar no céu.

Uma aqui pi, outra ali , mais uma acolá .

Algumas caem, são cadentes, e quando pipocaem faça um desejo, mas não revele a ninguém.

Um desejo que ainda não foi feito é indesejado, pense num indesejo que queira ser realizado, desejado:

Piscina de chocolate quente.

Porta de bolacha maizena,

Cachorro-quente de sorvete.

Pipocam estrelas de imaginação, indesejos saltam para fora e se tornam até desejáveis.

Se ao anoitecer pipocam as estrelas e os desejos, na hora de acordar começam a capopinar.

Some uma aqui ca,

e outra ,

a última ali pi.

Capopinaram todas, já é hora de acordar,

mais um dia inteiro de realidade.

 

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Arquivado em 2016, Coletivo Hiato, poema

O que queremos e o que temos

Resumi em apenas uma imagem.

O que queremos mas o que temos

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Arquivado em 2016, Pensamentos

Gastos em tempos de crise

Cancele o Cartão de Crédito, pois:

Se não podes pagar à vista, também não poderás pagar a prazo.

E se não podes pagar, o melhor é não comprar.

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2016.05.16 · 4:38 PM

Gratidão 11/05/2016

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Dia de votação no senado para o impeachment!

Estou tentando conter minhas palavras para não ferir ninguém!

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Arquivado em 2016, política

Novo acordo ortográfico

Quando muda a ortografia, de nada adianta a nostalgia.

Aprender o novo, reaprender de novo.

Velhas palavras mudam mas o sentido ainda é o mesmo.

Novas ideias surgem permitindo sempre a inovação.

O acordo já não é novo e lá vem ele de novo.

Novo acordo, velhas palavras, novas ideias,
só o poeta tem permissão de errar, tendo ele, ou não, a intenção.

Tarcísio Nunes Filgueiras Júnior – após aula no Coletivo Hiato sobre o novo acordo ortográfico

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Arquivado em 2016, Coletivo Hiato

Votação

Já não é de hoje que sabemos que o sistema democrático da votação parece falhar na seleção do que deveria ser a melhor escolha.

Acredito que isso se deve à motivação do voto.

Há diferentes tipos de votos e no final todos vão para o mesmo saco.

Há o voto …

verdadeiro.

honesto.

apaixonado.

enciumado.

ameaçado.

corrompido.

comprado.

vingativo.

arranjado.

amigo.

inexplicado.

desconhecido.

maluco.

 

 

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Arquivado em 2016, sala de aula

Aula ruim

Um dia ruim, uma aula ruim, com pessoas ruins.

Por todo lado que se olha dá para ver lama e sujeira, pessoas sujas falando coisas sujas, como não se sujar?

Para se proteger, uma couraça impermeável que não permite a sujeira entrar e nem coisas boas saírem.

Este é o ambiente, estou ambientado.

Mas no mar de lama da indiferença e reclamação, um simples bom dia se torna a mais alva flor, que ilumina e mantém sua pureza.

Um sorriso de compreensão é como a garça branca que apesar do ambiente impuro em que vive, suas penas continuam brancas, mostrando quem verdadeiramente é.

E é devido ao singelo bom dia, o acanhado sorriso da compreensão, que tento, algumas vezes sem sucesso ser um cara melhor.

Sempre há algo de bom que dá para melhorar.

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Arquivado em 2016, sala de aula

Mãos de Anjo

Exercício de escrita aula 04 em 08/04/16, escrever um poema e depois reescrever em forma de conto, dado uma ideia aleatória.

A ideia é: “Uma árvore perceberá a natureza humana”

Mãos de Anjo

(16/04/16 – 0:00 às 1:30)

Poema inicial

Faça chuva ou faça sol, as portas estão sempre abertas afinal.

Mãos de anjo é como ficou conhecida.

Uma prece, uma oração, uma reza, o nome não importa desde que a questão seja resolvida.

Com os pés descalços ou semi-calçados, tem seus passos sempre observados, a velha árvore, a jabuticabeira, é sempre sua companheira

Não tem caso sem solução e muito menos sem gratidão, gestos singelos sempre retornam em retribuição.

Conto

A manhã anuncia que já é hora de levantar, e bem cedo o café posto à mesa perfuma os cantos da casa toda. Uma mistura de aromas inconfundível, terra molhada pela chuva que não cessou a noite toda, grama aparada, a do jardim de casa, pão quentinho feito no fogão à lenha pelas mãos de anjo da avó.

O mais novo dos três irmãos é que mais recentemente pode atestar os efeitos angelicais que a avó provocava ao tocar seu joelho ralado. Na verdade ela não chegava a tocá-lo, só aproximava a mão e aquele leve calor já era calmante e aliviava qualquer aflição. Isso acontecera na semana anterior.

Hoje ela fez pão de aipim, colhido aqui por perto mesmo e para completar a sinfonia de fragrâncias no ar, o sr. Café.

O cenário desta manhã foi pintado delicadamente pelas mãos divinas da Natureza.

Com a manhã, fracamente os primeiros raios de sol pedem para entrar pela porta da cozinha e aconchegarem-se próximos ao pé da mesa. A neblina já que começou a se dissipar, pois não tem coragem de encarar e enfrentar o todo poderoso sol. Se bem que nos últimos dias teve a chuva por aliada e não arredaram o pé dali. Só hoje mesmo resolveram dar uma trégua.

Isso tudo pode acontecer enquanto se esvazia uma xícara de café. Leva-se tanto tempo para descrever o que em tão pouco tempo se percebe. E ali bem próximo à porta da cozinha, uma velha árvore carregada de jabuticabas bem pretas, como se fossem centenas de olhos abertos a observarem tudo o que se passa ao seu redor.

Os irmãos já estavam todos de pé e após a terceira xícara de café ser esvaziada, eles seguem caminhos bem diferentes. O pequeno fica em casa, pois ainda não tem idade para ir à escola. Mas sonha em ser médico quando crescer, curar as pessoas. O do meio vai para a escola, mas a contragosto, pois o que ele queria mesmo é ficar em casa. O mais velho, vai trabalhar, pois afinal alguém deve trazer o sustento dos quatro que vivem ali naquele lar.

Todos pedem benção à avó e após serem abençoados, passam pela velha jabuticabeira e levam consigo algumas belas bolotas pretas. Logo que os irmãos cruzam o portão, só o pequeno retorna, com suas mãos cheias e pés descalços, senta-se encolhido próximo ao calor do fogão à lenha que ainda está aceso e agora prepara um chá que será servido para as visitas. Visitas que logo começam a chegar. Não são da família, mas entram como se fossem.

A menina trazida pela mãe, não dormiu a noite inteira, chorava, pois sentia dores na cabeça. Logo se sentaram, a menina no colo da mãe e a avó mãos de anjo à frente. Ela faz algumas rezas incompreensíveis, também reza o pai nosso e depois disso com uma voz mais grossa e firme conversa com, sabe-se lá quem, e em pouco tempo aquela garota para de chorar e adormece no colo abençoado de sua mãe. Ela se levanta, agradece e vai embora, antes porém, aproveita para tomar um chá e ao passar pela velha jabuticabeira , leva algumas para comer no caminho de volta.

O menino mal criado e respondão precisava mesmo de umas boas palmadas, mas por ali, na casa da vovó mão de anjo, o que recebia eram algumas rezas, bons conselhos, chá e jabuticabas.

O dia transcorria até o entardecer e o irmão do meio já estava de volta. Deixava o material em cima da mesa mesmo, corria na dispensa e pegava uma lata de milho verde vazia, ela serviria de bola, o tronco da jabuticabeira de trave e o chinelo a outra trave.

As visitas já não eram tão frequentes neste horário, mas antes que o sol se despedisse por completo deste dia, um senhor de idade veio trazer um queijo que ele mesmo fez em gratidão a avó que havia rezado por sua nora grávida, prestes a perder seu bebê. Esse futuro avô estava feliz e em gratidão trouxe o que melhor sabia fazer.

Já anoitecera e o irmão mais velho havia recém chegado. Ele nunca compreendeu bem o que se passava, mas como todos por ali tinha profundo respeito pela avó.

Fechavam a casa toda, não por medo de bandidos, mas sim para evitarem os muitos insetos que insistiam em entrar.

Todos pedem benção a avó e após abençoados ,rezam em seus quartos e vão dormir, um ao lado do outro, como se o mesmo destino os aguardasse no dia seguinte.

 

 

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Arquivado em 2016, Coletivo Hiato, Conto

Shampoo e Graxa

Exercício de escrita, uma cena cotidiana observada, transformar em um conto. A cena é um lava-jato junto a um salão de beleza e o conto deve falar de uma pessoa que faz as duas coisas, lava carros e cabelos.

Shampoo e Graxa

Tarcísio Nunes – 09/04/2016

 

Pela manhã acorda bem cedo, e mesmo antes de abrir os olhos sente aquele cheiro entranhado no corpo, não sabe se é shampoo de cabelo ou graxa de carro, uma mistura bem peculiar que de certa forma encanta as mulheres, uma combinação de sujo e limpo, algo que tende do bruto ao delicado.

Ainda cedo apronta as crianças para a aula, hoje a pequena Madalena tem prova, ela gosta de ser chamada apenas de Lena, manhosa, sempre pede carinho antes de levantar com alegria para mais um dia. Já o mais velho, Gabriel, se levanta e nem mesmo acende as luzes, se troca em silêncio, vai ao banheiro, depois à mesa do café e ele mesmo se serve, em alguns anos já vai saber fazer o café e buscar o pão.

As luzes iluminam cada canto da casa e o barulho começa a invadir portas, janelas, mais portas, de armários, guarda-roupas. Não se demora a escolher suas roupas, afinal em um lava-jato não é necessário ter muito estilo, aquele velho macacão jeans com apenas uma alça pendendo no ombro direito, assim o coração fica livre, sem amarras. Uma camisa de malha branca e mangas compridas completa o figurino simplório, faça frio ou calor, chuva ou sol, botas do estilo exército, mas sem um pingo de graxa, é isso que ele usa todos os dias.

A esposa o deixou ainda novo, viúvo. Uma tragédia que abalou toda a cidade, ainda nos dias de hoje, tem quem fale da moça do lava-jato. Prefere não tocar no assunto e para  atual dona, Sra. Charme, melhor que assim seja.

Sra. Charme é uma pessoa muita atenta aos seus negócios, e notou o aumento da freguesia feminina no lava-jato, carros pequenos, grandes, alguns sujos por crianças, outros nem tão sujos assim, nem mesmo seria necessário uma aspiração, mas mesmo assim elas levavam seus carros lá, dia após dia, os negócios iam muito bem.

Sra. Charme, faz pouco tempo, o convidou para ir trabalhar no seu salão de beleza, que funciona ali perto, basta atravessar a rua, combinação perfeita para os negócios, carro limpo e mulher nova. Para os maridos, essa combinação seria perfeita, se na volta a mulher chegasse com duas cervejas geladas.

Mas de tão simplório, recusou! Não entendeu o que Sra. Charme pretendia fazer para prosperar ambos os negócios. Depois que sua esposa se foi, não via mais beleza nem alegria nas coisas, era apenas o trabalho e as crianças, e sem elas, acredita que sua vida não teria mais nem m pingo de graça.

Mas foi Lena, a pequena, que estimulou o pai. Ela toda vaidosa, logo imaginou o pai cuidando de seus cabelos, penteando, escovando, fazendo aquele carinho e a deixando ainda mais linda. Insistiu! Daquela maneira que só criança sabe fazer, para coração nenhum dizer não.

E desde então, shampoo e graxa, essa combinação imperfeita, tem feito os negócios de Sra. Charme prosperarem

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Arquivado em Coletivo Hiato, Conto

Nem sempre ganhar é melhor que perder

Eu não perco nada, só ganho!

Isso seria muito bom.

Se eu não estivesse falando de peso.

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Arquivado em 2016, miniconto