Mãos de Anjo

Exercício de escrita aula 04 em 08/04/16, escrever um poema e depois reescrever em forma de conto, dado uma ideia aleatória.

A ideia é: “Uma árvore perceberá a natureza humana”

Mãos de Anjo

(16/04/16 – 0:00 às 1:30)

Poema inicial

Faça chuva ou faça sol, as portas estão sempre abertas afinal.

Mãos de anjo é como ficou conhecida.

Uma prece, uma oração, uma reza, o nome não importa desde que a questão seja resolvida.

Com os pés descalços ou semi-calçados, tem seus passos sempre observados, a velha árvore, a jabuticabeira, é sempre sua companheira

Não tem caso sem solução e muito menos sem gratidão, gestos singelos sempre retornam em retribuição.

Conto

A manhã anuncia que já é hora de levantar, e bem cedo o café posto à mesa perfuma os cantos da casa toda. Uma mistura de aromas inconfundível, terra molhada pela chuva que não cessou a noite toda, grama aparada, a do jardim de casa, pão quentinho feito no fogão à lenha pelas mãos de anjo da avó.

O mais novo dos três irmãos é que mais recentemente pode atestar os efeitos angelicais que a avó provocava ao tocar seu joelho ralado. Na verdade ela não chegava a tocá-lo, só aproximava a mão e aquele leve calor já era calmante e aliviava qualquer aflição. Isso acontecera na semana anterior.

Hoje ela fez pão de aipim, colhido aqui por perto mesmo e para completar a sinfonia de fragrâncias no ar, o sr. Café.

O cenário desta manhã foi pintado delicadamente pelas mãos divinas da Natureza.

Com a manhã, fracamente os primeiros raios de sol pedem para entrar pela porta da cozinha e aconchegarem-se próximos ao pé da mesa. A neblina já que começou a se dissipar, pois não tem coragem de encarar e enfrentar o todo poderoso sol. Se bem que nos últimos dias teve a chuva por aliada e não arredaram o pé dali. Só hoje mesmo resolveram dar uma trégua.

Isso tudo pode acontecer enquanto se esvazia uma xícara de café. Leva-se tanto tempo para descrever o que em tão pouco tempo se percebe. E ali bem próximo à porta da cozinha, uma velha árvore carregada de jabuticabas bem pretas, como se fossem centenas de olhos abertos a observarem tudo o que se passa ao seu redor.

Os irmãos já estavam todos de pé e após a terceira xícara de café ser esvaziada, eles seguem caminhos bem diferentes. O pequeno fica em casa, pois ainda não tem idade para ir à escola. Mas sonha em ser médico quando crescer, curar as pessoas. O do meio vai para a escola, mas a contragosto, pois o que ele queria mesmo é ficar em casa. O mais velho, vai trabalhar, pois afinal alguém deve trazer o sustento dos quatro que vivem ali naquele lar.

Todos pedem benção à avó e após serem abençoados, passam pela velha jabuticabeira e levam consigo algumas belas bolotas pretas. Logo que os irmãos cruzam o portão, só o pequeno retorna, com suas mãos cheias e pés descalços, senta-se encolhido próximo ao calor do fogão à lenha que ainda está aceso e agora prepara um chá que será servido para as visitas. Visitas que logo começam a chegar. Não são da família, mas entram como se fossem.

A menina trazida pela mãe, não dormiu a noite inteira, chorava, pois sentia dores na cabeça. Logo se sentaram, a menina no colo da mãe e a avó mãos de anjo à frente. Ela faz algumas rezas incompreensíveis, também reza o pai nosso e depois disso com uma voz mais grossa e firme conversa com, sabe-se lá quem, e em pouco tempo aquela garota para de chorar e adormece no colo abençoado de sua mãe. Ela se levanta, agradece e vai embora, antes porém, aproveita para tomar um chá e ao passar pela velha jabuticabeira , leva algumas para comer no caminho de volta.

O menino mal criado e respondão precisava mesmo de umas boas palmadas, mas por ali, na casa da vovó mão de anjo, o que recebia eram algumas rezas, bons conselhos, chá e jabuticabas.

O dia transcorria até o entardecer e o irmão do meio já estava de volta. Deixava o material em cima da mesa mesmo, corria na dispensa e pegava uma lata de milho verde vazia, ela serviria de bola, o tronco da jabuticabeira de trave e o chinelo a outra trave.

As visitas já não eram tão frequentes neste horário, mas antes que o sol se despedisse por completo deste dia, um senhor de idade veio trazer um queijo que ele mesmo fez em gratidão a avó que havia rezado por sua nora grávida, prestes a perder seu bebê. Esse futuro avô estava feliz e em gratidão trouxe o que melhor sabia fazer.

Já anoitecera e o irmão mais velho havia recém chegado. Ele nunca compreendeu bem o que se passava, mas como todos por ali tinha profundo respeito pela avó.

Fechavam a casa toda, não por medo de bandidos, mas sim para evitarem os muitos insetos que insistiam em entrar.

Todos pedem benção a avó e após abençoados ,rezam em seus quartos e vão dormir, um ao lado do outro, como se o mesmo destino os aguardasse no dia seguinte.

 

 

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Arquivado em 2016, Coletivo Hiato, Conto

Shampoo e Graxa

Exercício de escrita, uma cena cotidiana observada, transformar em um conto. A cena é um lava-jato junto a um salão de beleza e o conto deve falar de uma pessoa que faz as duas coisas, lava carros e cabelos.

Shampoo e Graxa

Tarcísio Nunes – 09/04/2016

 

Pela manhã acorda bem cedo, e mesmo antes de abrir os olhos sente aquele cheiro entranhado no corpo, não sabe se é shampoo de cabelo ou graxa de carro, uma mistura bem peculiar que de certa forma encanta as mulheres, uma combinação de sujo e limpo, algo que tende do bruto ao delicado.

Ainda cedo apronta as crianças para a aula, hoje a pequena Madalena tem prova, ela gosta de ser chamada apenas de Lena, manhosa, sempre pede carinho antes de levantar com alegria para mais um dia. Já o mais velho, Gabriel, se levanta e nem mesmo acende as luzes, se troca em silêncio, vai ao banheiro, depois à mesa do café e ele mesmo se serve, em alguns anos já vai saber fazer o café e buscar o pão.

As luzes iluminam cada canto da casa e o barulho começa a invadir portas, janelas, mais portas, de armários, guarda-roupas. Não se demora a escolher suas roupas, afinal em um lava-jato não é necessário ter muito estilo, aquele velho macacão jeans com apenas uma alça pendendo no ombro direito, assim o coração fica livre, sem amarras. Uma camisa de malha branca e mangas compridas completa o figurino simplório, faça frio ou calor, chuva ou sol, botas do estilo exército, mas sem um pingo de graxa, é isso que ele usa todos os dias.

A esposa o deixou ainda novo, viúvo. Uma tragédia que abalou toda a cidade, ainda nos dias de hoje, tem quem fale da moça do lava-jato. Prefere não tocar no assunto e para  atual dona, Sra. Charme, melhor que assim seja.

Sra. Charme é uma pessoa muita atenta aos seus negócios, e notou o aumento da freguesia feminina no lava-jato, carros pequenos, grandes, alguns sujos por crianças, outros nem tão sujos assim, nem mesmo seria necessário uma aspiração, mas mesmo assim elas levavam seus carros lá, dia após dia, os negócios iam muito bem.

Sra. Charme, faz pouco tempo, o convidou para ir trabalhar no seu salão de beleza, que funciona ali perto, basta atravessar a rua, combinação perfeita para os negócios, carro limpo e mulher nova. Para os maridos, essa combinação seria perfeita, se na volta a mulher chegasse com duas cervejas geladas.

Mas de tão simplório, recusou! Não entendeu o que Sra. Charme pretendia fazer para prosperar ambos os negócios. Depois que sua esposa se foi, não via mais beleza nem alegria nas coisas, era apenas o trabalho e as crianças, e sem elas, acredita que sua vida não teria mais nem m pingo de graça.

Mas foi Lena, a pequena, que estimulou o pai. Ela toda vaidosa, logo imaginou o pai cuidando de seus cabelos, penteando, escovando, fazendo aquele carinho e a deixando ainda mais linda. Insistiu! Daquela maneira que só criança sabe fazer, para coração nenhum dizer não.

E desde então, shampoo e graxa, essa combinação imperfeita, tem feito os negócios de Sra. Charme prosperarem

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Arquivado em Coletivo Hiato, Conto

Nem sempre ganhar é melhor que perder

Eu não perco nada, só ganho!

Isso seria muito bom.

Se eu não estivesse falando de peso.

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Arquivado em 2016, miniconto

As pedras e o Mar

Aquelas pedras sonhavam em virar mar.

Mas de tanto sonhar.

Não saíram dali, daquele lugar.

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Arquivado em 2016, miniconto

Viva a República de Curitiba

“Eu, sinceramente, tô assustado com a República de Curitiba.” – Luiz Inácio Lula da Silva

Se referindo à operação Lava Jato que acontece na cidade de Curitiba, julgada pelo juiz federal Sérgio Fernando Moro, e que está botando medo em todos os políticos corruptos, mostrando que ninguém está isento de assumir as consequências pelos seus maus atos. E ao falar isso Lula, o ex-presidente e atual Ministro da Casa Civil, mostra temor a alguém!

Até agora o intocável orador Lula, como um peixinho, foi pego pela boca! Ao falar abertamente em seu telefone grampeado oficialmente pela justiça, disse coisas que conhecemos popularmente como “Jogar #erda no ventilador”.

A presidenta Dilma, para tentar livrá-lo o nomeou de última hora como ministro Chefe da casa civil, ou seja, o elegeu presidente sem nenhum voto do povo. Esta senhora assinou sua sentença ao dar este cargo a este senhor. Bandidos fazendo bandidagem.

Lula disse poder “incendiar” o país, e isso ele conseguiu, inflamou o país! As pessoas estão nas ruas e desta vez parece que algo bom acontecerá! Algo bom é qualquer coisa diferente do que está acontecendo agora.

Lula chamou a Suprema Corte do Supremo Tribunal Federal de covardes, que estão acovardados! Huaaallalalalallala! Mexeu com os “Batmans” da capa preta, e por muito menos, este ano o Senador Delcídio do Amaral foi preso!

Fora Dilma! Lula preso já!

Apoio o ilustríssimo Sr. juiz Moro, apoio a ordem e o progresso do Brasil.

Juiz Sérgio Moro

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Arquivado em 2016, política

Eu escritor

Segunda tarefa do dia 12/03/2016

Escreva um texto autoral, curto, sobre o ato de escrever.

Eu escritor

É neste momento que me conecto. Quando a ponta da caneta bate no plano da folha, é uma torneira aberta.

As ideias fluem de não sei onde, não estavam ali antes, nem nunca pensei nisso.

Se não existem caminhos e o caminho se faz ao caminhar, também não existem os textos, nem mesmo as ideias, o escrito se faz ao escrever.

Mas engana-se quem pensa ser um ato solitário, pois não é. Encontro-me com a imaginação e ela tão formosa é minha companheira.

Monólogos viram diálogos, diálogos logo se transformam em discussões, e os mais diferentes personagens, cada um querendo ser ouvido, querendo ser lido, cada um ao seu tempo, ou todos ao mesmo tempo, levantam sua voz e eu apenas abaixo a caneta.

Mas de repente sou interrompido e lá se vai a conexão, aquele mundo imaginário se desfaz, e aquilo que não era volta a nada ser. Volto ao mundo solitário em que sou apenas eu, a ponta da caneta e o plano da folha.

Tarcísio Nunes, 12/03/2016

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Arquivado em 2016, Coletivo Hiato

Quando a morte bate à porta

Primeira atividade do curso de “Formação de Escritores” no “Coletivo Hiato” em Brusque!

A atividade era a seguinte: “Escrever um texto curto, narrativo, em 1ª pessoa, sobre o ato de morrer”. E temos o seguinte cenário:

Emissor: anônimo

Receptor: um adulto

Canal: livro de contos

Código: linguagem neutra

Contexto: refletir a morte como um destino

Quando a morte bate à porta

Sempre ouvi dizer que só há uma certeza na vida, que é a morte.

Mas se ela está longe, no espaço e no tempo, não há problema. Mesmo que seja de repente, também se compreende facilmente.

Acredito que o maior problema é quando a morte bate à porta, está por perto.

Todos os dias ela vem tomar um café da tarde, me lembrando do nosso compromisso.

Até tento adiar, deixar um pouco mais incerto esta única certeza que tenho. Mas sinto que em breve deverei acompanha-la porta a fora.

Tarcísio Nunes – escrito em 12/03/2016

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Arquivado em 2016, Coletivo Hiato

Assegure-se de estar no caminho certo

“Se está caminhando rápido, assegure-se de estar no caminho certo.” Algum autor que não sei agora quem é.

Porque andar rápido mas na direção errada, é triste. Vai ter que voltar todo o caminho errado e percorrer o correto.

É comum nos dias de hoje o incentivo à definição de metas, sonhos e objetivos. E é verdade, sem isso, acho difícil ter motivação para acordar e querer caminhar. E isso acontece com muitas pessoas, a indefinição, o não saber o que quer ou que vai fazer. O tal sentido da vida ou sentido para viver. O norte, o rumo! Andar sem rumo é um adágio popular de muita sabedoria. Assim, é certo dizer que devemos sim traçar nossas metas, definir os objetivos para alcançar nossos sonhos.

A dica para quem está começando é definir as de curto prazo, que devem acontecer logo. Se tem muita dificuldade, sei lá, define para hoje, para o final de semana. Só como treinamento. Já para os mais experientes nesta área, sabe o quão importante é visualizar suas metas todos os dias, assim sendo, não podem estar apenas na cabeça, devem ir para o papel, de preferência, imprimindo uma imagem da internet e colando em um local visível. Para que todos os dias você possa relembrar e fazer algo, um passo a mais na direção de seu sonho.

Acho que é isso!

Mas esses dias me peguei andando no caminho errado, na direção errada!  O que fazer? E quando você está certo que está errado mas ainda assim persiste? Burrice?! Nem sempre é tão fácil descobrir. A ilusão do sonho pode ofuscar as vistas. Acreditar em algo, não é isso que pedem?! Mas e se for algo errado, como saber? Nos manuais dos vencedores aparecem palavras como persistência e resiliência, mais ou menos isso significa suportar tudo em pró dos seus objetivos. Mas e se forem errados? Existem objetivos errados? Na história vimos que muita gente grande quis coisas erradas, conquistaram mas acabaram perdendo. E não vimos os que não conseguiram, a história fala pouco sobre os fracassados, os que caminharam para o lado errado.

Estou tentando agora corrigir meu rumo, reorganizar minhas metas, e caminhar novamente no sentido correto. E se Antônio Machado está correto, o caminho se faz ao caminhar. Digo que deve-se conhecer o caminho correto, o quê ou quem é o caminho?

Seguir o Caminho.

 

 

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Arquivado em 2016

O Brasil afundado na lama

Brasil na Lama

Enquanto esses dois aí sorriem o Brasil só chora!

Não é só a cidade de Mariana que está afundada em lama, o Brasil inteiro está no lodaçal da corrupção e negligência, onde todos nós estamos sujos por esta imundice, de crianças a velhos, ninguém escapa desta enxurrada de detritos tóxicos que vem de Brasília através de todos influentes da política.

O rio doce está amargando talvez o maior desastre ambiental de todos os tempos enquanto o Brasil amarga o maior desastre humano de corrupção e negligência.

Sei que a herança deixada por nossos colonizadores é maldita, marcada pela corrupção, exploração e tudo que é má ação. E nós? Filhos desta nação, o que estamos deixando para o futuro? Estamos deixando a negligência, a não ação!

Não consigo mais escrever, me embrulha o estômago e dá vontade de chorar ao ver tudo isso e nada fazer para melhorar.

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Arquivado em 2015, Política

Mudaram as estações, mas nada mudou

Dependendo da região do Brasil em que você se encontra, a estação do ano pode não ter nada a ver com a estação climática. Aqui no sul do Brasil, ontem fez frio na primavera, depois de passarmos por algum calor no inverno. Parece que esta primavera será chuvosa e fria.

Mas fora as estações que foram mudadas pela poluição gerada pelo homem ao longo dos séculos, nada mudou. Fico pensando na corrupção romana há mais de 2.000 anos atrás quando tudo levava à Roma e então penso no que se tornou a Itália hoje, e fazendo uma projeção futura de nosso Brasilzão… A esperança é a última que morre, pois eu e você já estaremos mortos e não veremos talvez nem na próxima encarnação uma mudança significativa em nosso país.

O poeta Renato Russo já dizia “Mudaram as estações, nada mudou. Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, Tá tudo assim, tão diferente…” e dando continuidade nesta música romântica e triste “Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir nem tentar agora tanto faz” …

Sabe como faz para o povão, eu e você, não reclamarmos do aumento da gasolina de R$ 2,90 para R$ 3,20 é aumentar consecutivamente para R$ 3,50. Nós vamos ficar felizes se voltasse para R$ 3,20 sem mesmo se lembrar que na verdade o preço anterior era R$ 2,90. Manipulação do governo mentiroso e corrupto para um povão da mesma espécie.

Um meme atual, frase de facebook, diz mais ou menos assim: “Viver no brasil hoje é como a vida do absorvente, está num lugar maravilhoso, mas numa época ruim”.

São 513 deputados e 81 senadores, uma fortuna que eu, você e todo o Brasilzão paga a conta, cada um desses fulanos aí tem um cabide de empregos por baixo que se alastra e que faz o Brasil se arrastar como um aleijado mendigo perante países de 1º mundo, esmolando o seu dinheiro através de impostos injustos. E a justiça, esta coitada se arrasta em processos de 1ª, 2ª, 3ª, Nésima instância, garantindo o direito amplo à bandidos ficarem impunes. Nada funciona, nada funciona como deveria funcionar.

Este foi um leve desabafo de alguém que acorda todos os dias cedo para trabalhar por um país, por uma nação e por uma geração melhor.

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Arquivado em 2015, Política